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Segunda-feira, Dezembro 22, 2008

super group, shonen knife.


Vocês notaram que o Japão exporta com muito sucesso carros, produtos tecnológicos, comida, mangá, animê, mas não consegue emplacar a sua música? Nem mesmo a sua pop music ocidentalizada! Com exceções de países asiáticos e outros com uma razoável colônia japonesa como no Brasil e nos Estados Unidos em que a música japonesa é consumida por um pequeno grupo,ela é ignorada pelo resto do mundo.

Acredito que possa existir familiaridade dos amantes dos videogames com nomes como Hikaru Utada que canta os temas dos jogos do Kingdom Hearts. Mas quem já ouviu falar de Ayumi Hamasaki, mega ídolo japonesa que já vendeu mais de 50 milhões de discos?

A Sony fez uma enorme campanha de marketing durante a década passada, para tentar vender aqui nos Estados Unidos, a maior sensação japonesa, Seiko Matsuda. Ela tinha emplacado 26 músicas consecutivamente no topo da parada pop japonesa durante os anos 80. Um dinheirão jogado fora, as vendas no mercado americano foram medíocres. Ela era engraçadinha, carinha de menina inocente, bonitinha, muito ambiciosa, botaram até pra namorar gaijins famosos – um dos casos acabou num casamento, mas não teve jeito. Matsuda Seiko continuou sendo ignorada fora do Japão.

Não sei o que deve ser feito para mudar essa tendência ou falta de tendência, mas vou contar um segredinho aqui. Tem um grupo de três garotas japonesas de Osaka que começaram a tocar em 1982 compondo músicas num estilo, que no dizer delas, foi influenciado por grupos como os Ramones. Foram vistas pelo Cobain (aquele do Nirvana) que se apaixonou loucamente pelo trio. Elas foram convidadas para abrirem seus concertos em turnê pelos Estados Unidos. Depois disso outras bandas famosas começaram a proclamar admiração por esse trio de garotas. O reconhecimento entre esse público nos Estados Unidos ecoou no Japão e o grupo começou a fazer sucesso no Japão e a vender mais discos.

O nome dessa banda é Shonen Knife (uma marca de canivete no Japão), composta inicialmente pelas irmãs Naoko e Atsuko Yamano que se juntaram a uma outra amiga, Mitie Nakatani. O que é que elas tem de diferente?

Simplicidade, só isso.

É uma banda alegre, desprentensiosa, que canta em japonês mas principalmente em inglês, com forte e charmoso sotaque japonês, que não melhorou nem um pouquinho em todos estes anos. Elas se apresentam vestidas como se tivessem saído de uma cápsula do tempo, dos anos 70.

As letras das composições do grupo beira o primitivismo, Os títulos das músicas mostram temas banais como Sushi Bar, Gyoza (uma comida japonesa que veio da China há milhares de anos, como diz a letra da música), Banana Chips, Banho Público, mas que de uma maneira nada sutil vai mostrando diversas facetas da cultura japonesa em seu som pop-punk.

Descobri a banda sem querer há uns dez anos, quando Shonen Knife tinha lançado o album Happy Hour. Uma das faixas, umm cover do Daydream Believer, que era um original que os The Mokees tinham gravado em 1967 ficou simplesmente fantástico. Foi amor à primeira vista. Melhor que a versão original ou da Anne Murray.



No mês passado, Shonen Knife lançou o seu 712º. (ou perto disso...) allbum, Super Group e estão num tour promocional pelo Japão. A Naoko é a única remanescente do trio original. A sua irmã Atsuko se retirou da banda depois que se casou e mudou-se para Los Angeles. As outras componentes são Etsuko e Ritsuko, que aparecem na foto ali em cima.

O meu filho Emo, nos últimos anos de sua adolescência, torce o nariz toda vez que estou ouvindo alguma música do Shonen Knife, mas isso é porque ele, e também, o grande público, ainda não sabem que estão ouvindo uma das maiores bandas da história musical. Podem conferir! Logo logo, além dos automóveis que estão nos quatro cantos do globo, o Japão vai invadir o mercado musical! MWOAHAHAHA (riso macabro)



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